16 motivos por que ainda acredito na Igreja

04:19 Douglas Levita 0 Comentarios



Falar de maneira pejorativa da Igreja tem sido um prato cheio. É bem verdade, muitos encontram miríades de justificativas reverberadoras de críticas ferrenhas e inexoráveis, principalmente, devido a toda uma pletora de denominadas vertentes intituladas evangélicas, expressamente, regidas a disseminar idéias e condutas a léguas de distância da genuinidade do evangelho de Cristo. Mesmo diante de um cenário de lobos em pele de cordeiro, de apostasias e heresias soerguidas como manifestações da autêntica Graça, de um enxame de promessas e expectativas irreais, ainda há motivos, insofismáveis e indubitáveis, para ainda acreditar na Igreja. Desde já, poderei apetecer uns e ser foco de ácidas contestações de outros. Independentemente disso, compreendo os fundamentos das análises nada convidativas com relação a Igreja, mas também devemos separar o joio do trigo e não incorremos no adágio popular de que "todos os gatos são pardos", ou que "todos são farinha no mesmo saco". Por ora, discorro alguns motivos sobre o por que ainda acredito (e devemos acreditar), e acrescento a ser Igreja, na Igreja. 

A saber:

01. Ainda acredito na Igreja direcionada por fazer a trilha da encarnação, da crucificação e da ressurreição firmada por e em Cristo e isto não me torna melhor do que ninguém, muito menos pior.

02. Sim e sim, ainda acredito na Igreja com a coragem para ser livre e, destarte, aberta e disposta a ouvir, a servir, a testemunhar e a tolerar. 

03. Devo dizer, ainda acredito na Igreja em que ser radical, total e autêntico perpassa por estender as mãos para os convalidos, sem esperar nada em troca. 

04. Deveras, ainda acredito na Igreja que enfoca o pecado, não seguindo uma conotação moralística e legalista. Em direção oposta, a partir de uma multiperspectiva de desintegração da personalidade humana e caracterizado pelo individualismo, pelo relativismo, pelo utilitarismo e pela coisificação ou pela concepção de tratar o próximo como algo a ser consumido e descartado. Aliás, a indiferença, a adoção de uma ética do cada um por si e Deus por todos, do nada posso fazer e outras desculpas são faces concretas de pecado.

05. Não paro por aqui, ainda acredito na Igreja pautada numa transcendência que nos leva ao próximo, numa espiritualidade que não tenha nenhuma postura dicotômica com relação a cultura (sem demonizar manifestações culturais de povos, caso dos instrumentos utilizados pelos africanos, ainda visto como figuras voltadas a adoração de espíritos malignos) e nem seja repulsiva e inimiga dos progressos perpetrados pela ciência.

06. Sem titubear, ainda acredito na Igreja com a coragem para antes de preconizar o quão fundamental representa a obediência, submeter – se a concernente afirmativa.

07. Na mesma linha, ainda acredito na Igreja comunitária, formada por gente decidida a ser sal e luz e não anônimos a procura de uma relação espúria, oportunística e leviana com Deus.

08. Ah, ainda acredito na Igreja que não faz de Cristo um ideal, um compêndio do que entendo deve ser certo e errado.

09. Semelhantemente, ainda acredito numa Igreja em que cada membro seja um discípulo, um agente promotor das boas – notícias e não um mero freqüentador de cultos, ou consumidor de sermões, ou inclinado a tão somente apontar erros e falhas e nada mais diferente.

10. Vou além, ainda acredito numa Igreja presente nas mais diversas ramificações sociais e culturais, mas sem perder de vista a sua identidade de serva. 

11. Cumpro e saliento, ainda acredito numa Igreja de oração e de elucubração séria e honesta da palavra, de ser missionária, de ser evangelística, de ser partícipe da realidade da qual faz parte com paz, justiça, alegria, esperança e amor e, em suma, com Cristo. 

12. Atento por ainda acreditar numa Igreja que não menospreza a política, mas consegue discernir quais os papeis, com maestria, e sem mistura as funções.

13. Deve ser ressaltado, ainda acredito na Igreja ancorada por receber os abatidos pelos reveses da vida, sem estabelecer cartilhas de dogmas a serem seguidos.

14. De notar, ainda acredito na Igreja que a Graça permeia a espiritualidade, mas também a sexualidade, a afetuosidade, a humanidade, a criatividade...

15. Ainda acredito na Igreja que o perdão significa a capacidade para recomeçarmos, que a reaceitação acolhe os considerados marginalizados, que a reconciliação apresenta a salvação como a cura do ser humano.

16. Dou mais algumas pinceladas e ainda acredito numa sombra que teima por acompanhar a humanidade e me acompanhar, em todos os momentos e contextos. 

Por fim, encerro essas colocações, sem a intenção de querer ser o dono da verdade, com uma breve reflexão: ‘’és a sombra ao meu lado, o silêncio adoçado pela paz; com a névoa da madrugada, derrama refrigério em meu coração; alenta – me com a inocência, retira as estacas da culpa e escreve palavras lúdicas que permeiam o meu inconsciente; despe a eternidade e torna possível sonhar; desenha a alegria, alforria a liberdade''.


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